"Útero”


Obra esculpida entre final de 2019 e 2020, em mármore rosa com dimensões entre os 75cm de altura e largura de 50cm


https://museumunicipal.espinho.pt/pt/exposicoes/bienal/

Escultura que recebeu uma Menção Honrosa na Bienal de Espinho 2021







Domingo, dia 25 de Abril inaugurou a Bienal Internacional de Arte de Espinho 2021, onde vários artistas levaram até às galerias Amadeo de Souza-Cardoso, no Belo Museu Municipal de Espinho um respiro de Liberdade. Coincidindo a inauguração desta Bienal com as comemorações do dia 25 de Abril, quis concorrer com uma Escultura em mármore rosa que me diz muito, que se impôs no meu trabalho em 2020 como ponto de viragem e que se tem constituído como importante base de reflexão e permanente fonte de inspiração.
Entre os 61 artistas selecionados recebi uma menção honrosa e fico feliz pois com uma inauguração a 25 de Abril esta escultura intitulada de "Útero” surge como a representação do último reduto da liberdade.
Abril é um mês de enorme significado para o nosso país. Nele relembramos o bem maior, mas frágil, da liberdade sempre ameaçada pela perene tentação do ser humano no seu desejo de controlo dos acontecimentos e na sua ambição de domínio sobre a Natureza e sobre a própria Humanidade.
25 de Abril é uma data especial para a sociedade portuguesa na medida em que possa constituir uma oportunidade de reflexão profunda e de debate honesto sobre o caminho a fazer para assegurar o dom precioso da nossa Liberdade, em sério risco de desaparecimento. Neste sentido, tal como a arte, também o Útero é uma brecha, um espaço vazio, uma possibilidade de começo, uma garantia de liberdade onde algo radicalmente novo se inicia.
"Útero” é um lugar onde a imprevisibilidade ainda é possível, onde a natureza ainda permanece livre, onde o mistério do ciclo da vida ainda ocorre independentemente do controle humano. O ciclo da vida que, para mim, é tão misterioso!
Esta escultura emerge como um forte alerta, para a fragilidade da nossa identidade, cada vez mais perdida, diluída e fragmentada e para a problemática das relações humanas, já tão enfermas, perdidas e solitárias, a necessitarem de uma reflexão urgente baseada no dom de si, no amor, no serviço e na humildade.
Este - Útero – esculpido em mármore rosa, recebeu uma Menção Honrosa, que muito me alegra, muito me honra e muito agradeço!

Teresa TAF, 26 de Abril 2021



Montagem da Peça no espaço, Bienal de Espinho 2021

Sobre o processo da Escultura – Útero

Numa época onde tudo se precipita numa voragem de acontecimentos, sentimos cada vez mais que para nos descobrirmos, para descobrirmos o outro, para nos relacionarmos com tudo que nos envolve, necessitamos de tempo, pois amar implica uma dedicação que só o tempo possibilita. Assim como o acto de criação exige tempo e amor, também o acto de esculpir tem necessidade de dedicação e de entrega total, onde só a matéria nos dirá quanto tempo o tempo tem. Sendo o mármore sinónimo de tempo, pois tem contido em si todo o tempo da criação, se eu procuro refletir sobre o tempo, não há matéria mais nobre. O mármore é um elemento central. Todas as matérias aguardam os nossos gestos de amor e a nossa entrega, mas compreendi, ainda que não totalmente, que a pedra nos desafia e nos obriga a uma
dedicação que, hoje em dia, muitas vezes como artistas, desconhecemos por estarmos demasiadamente escravizadas por uma cultura vazia, rápida e momentânea. Depois deste trabalho executado em mármore, compreendo melhor as palavras de Luís Pareyson: - "O artista estuda amorosamente a sua matéria, escuta-a até ao fundo, espreita o seu comportamento e as suas reacções, interroga-a para poder comandá-la, interpreta-a para poder domá-la, obedece-lhe para poder dobrá-la; aprofunda-a para que revelem as possibilidades latentes e adequadas às suas intenções” (Estética, 1954).